O processo de decomposição cadavérica pode ser influenciado por diversos fatores. Em muitos casos de homicídio, o autor do crime busca ocultar o cadáver e utilizar substâncias químicas para acelerar o processo de decomposição e dificultar a identificação da vítima. Este trabalho objetivou descrever os principais achados médico-legais de um caso concreto envolvendo inumação combinado com a utilização de substância química sugestiva de se tratar de cal (óxido de cálcio – CaO) em um cadáver humano. No exame interno do cadáver foram constatados vestígios de material sólido granulado da cor branca e lesões teciduais compatíveis com ação química na traqueia e nos pulmões de um cadáver saponificado, do sexo masculino, vítima de traumatismo craniano por disparos de arma de fogo. As condições ambientais e a ação química podem ter contribuído para o processo de saponificação do corpo e retardo no processo de putrefação, dificultando a estimativa do tempo de morte pelos métodos convencionais. A presença da substância química e a constatação de lesões teciduais na árvore respiratória sugerem que a vítima ainda estava viva quando inalou o corpo estranho branco.
Referências
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Perito Criminal Geral do Instituto Geral de Perícias do Estado de Santa Catarina (IGP/SC). Ex-Perito Criminal do Estado de São Paulo. Possui graduação em Bacharelado e Licenciatura em Ciências Biológicas pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", Universidade de São Paulo (ESALQ/USP) e Mestrado em Ciências pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura, da Universidade de São Paulo (CENA/USP). Autor de publicações científicas nas áreas de Entomologia e Ciências Forenses. Atua como professor de Criminalística e Medicina Legal em cursos preparatórios para concursos públicos.