Resumo
Objetiva-se avaliar os óbitos ocorridos em Belo Horizonte e região metropolitana, entre 2006 e 2018, com detecção de opioides nas análises toxicológicas, dado o potencial aumento do uso abusivo destes ao longo dos anos e o impacto social relacionado às vidas perdidas decorrentes de intoxicações. Foi conduzido estudo transversal, retrospectivo, onde foram realizadas medidas de frequência e de tendência central, bem como testes qui-quadrado e teste-t para avaliar independência da distribuição das variáveis, considerando um nível de significância de 95%. Foram analisados 100 laudos de necropsia, onde foi possível perceber aumento da detecção de opioides a partir de 2013. Houve maior prevalência do sexo masculino (65%), sendo a média etária de 48,9 anos. Causa e circunstância de morte indeterminadas foram as mais prevalentes (44%, 61%). Dos óbitos decorrentes de causas externas (33%), quatro decorreram de intoxicação por opioides. A maioria dos periciados recebeu atendimento médico previamente ao óbito (57%). Os opioides tradicionais fortes (82,1%) e naturais (72,6%) foram os mais encontrados, sendo o tramadol o mais observado (35%). A maioria dos casos apresentou alcoolemia negativa (89,6%) e positividade para detecção de psicotrópicos (64%). Os homens apresentam média etária menor, receberam mais atendimento médico e morreram mais por trauma que as mulheres. Apesar de ser considerado um problema de saúde pública importante em outros países, Belo Horizonte e RMBH parece não apresentar, ainda, impacto nas mortes por causas externas. Estudos de maior abrangência devem ser realizados para melhor entendimento em nosso meio.