Abstract
O presente estudo teve como objetivo caracterizar a composição química de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) e elíquidos
apreendidos pela Polícia Científica de Joinville/SC e avaliar teoricamente os riscos à saúde humana. Foram analisadas 170
amostras, sendo 71 DEFs e 99 e-líquidos, por meio de Cromatografia Gasosa Acoplada à Espectrometria de Massas (GC-MS). Ao
todo, 166 compostos foram atribuídos, entre eles nicotina, glicerina, propilenoglicol, ácido benzóico, etil maltol, vanilina e diversos
flavorizantes. A presença de substâncias como acetoína, álcool benzílico, benzaldeído, mentol e eugenol indica potencial risco
toxicológico, especialmente devido à formação de produtos de degradação durante o aquecimento. Foram constatadas discrepâncias
entre as informações declaradas nos rótulos e os resultados obtidos, com detecção de nicotina em produtos rotulados como “sem
nicotina”. Além disso, a alta frequência de ácido benzóico sugere o uso disseminado de benzoato de nicotina, que pode aumentar
a absorção e o potencial de dependência. Apesar de apresentarem menor concentração de compostos carcinogênicos que os cigarros
convencionais, os DEFs não são isentos de riscos, podendo causar efeitos adversos respiratórios, neurológicos e cardiovasculares.
Esses resultados reforçam a necessidade de regulamentação mais rigorosa, fiscalização efetiva e conscientização sobre os riscos do
uso desses dispositivos.