Montagem, iniciação e análise pós-detonação de artefato explosivo improvisado empregando TATP


Resumo

Embora ainda pouco frequente, o uso de explosivos caseiros para a prática de crimes no Brasil tem aumentado. Dentre tais explosivos o TATP merece especial destaque pela facilidade de produção, iniciação (explosivo primário) e elevada brisância (equivalente a 0,88 do TNT). Por esse motivo, os Peritos Criminais e Polícias Científicas do país precisam estar preparados para analisar traços de explosivos caseiros, como o TATP, contidos em fragmentos de material detonado. Neste trabalho, cerca de 20 g de TATP foram sintetizados e cerca de 10 g utilizados na confecção de uma “carteira-bomba”, análogo a um artefato utilizado em um evento criminoso real em Curitiba, explodido defronte um dos principais pontos turísticos da cidade. A “carteira-bomba” foi detonada sendo que fragmentos do objeto e do solo no epicentro da explosão foram recolhidos, deixados expostos em ambiente aberto e analisados por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG-EM), através da técnica do headspace, sem pré-processamento, em intervalos de 3, 5 e 7 h após a explosão. Em todas as amostras foram encontrados traços de TATP evidenciados por picos de boa intensidade e resolução.


Palavras-chave

TATP
Pós-detonação
Análise de traços
Análise de explosivos
Peróxidos orgânicosPolícia

Referências

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Copyright (c) 2023 Revista Brasileira de Criminalística

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Autor(es)

  • Jerry Cristian Gandin,
  • Emílio Merino de Paz Junior,
  • Jerry Cristian Gandin

    Polícia Científica do Paraná

    https://orcid.org/0000-0001-5416-8931

    Formado em Farmácia pela UFPR, foi aprovado em primeiro lugar no concurso para Perícia Criminal no Paraná em 2007, onde atua desde 2009, relizando perícias de locais de morte violenta, exames de alta complexidade e manejo de explosivos. É instrutor da Academia de Ciências Forenses da Polícia Científica do Paraná ministrando a disciplina de Bombas e Explosivos. Presidente da Comissão de Bombas e Explosivos da Polícia Científica do Paraná.

    Emílio Merino de Paz Junior

    Polícia Científica do Paraná